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Archive for março \30\UTC 2013

Feitiço

Fiz um pedido aos ventos :

Que todos os novos quereres viessem me visitar

E inundassem meus pesares

Enuviassem minhas certezas

Embaralhassem minha vida

Escrevi num papel de rascunho para os astros :

Que eu nunca perca a capacidade,

De enxergar novos destinos

De entoar canções ainda não interpretadas

De publicar novos poemas

Desejo o que não sei

Quero possuir o que nunca tive

Amar o que não sou

O impensado inesperado

A arte do acaso

O súbito desaviso

Não posso me contentar com o que fui

Nem com a esperança de novos ares

Preciso sentir o abismo da incompreensão

Longos olhares de dúvida

Necessito existir como poeta

A vida não me basta…

Luna-creciente-en-jardinería

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Sobre cisões e rupturas

No início, não passava de uma pequena rachadura

Fina, retilínea, quase imperceptível

Depois surgiram infiltrações, fendas

E pedaços de mim foram mergulhando no abismo

Do qual eu não ainda não consigo escapar.

 

A máscara branca que cobria meu rosto se dissolveria a qualquer minuto

Minhas certezas estavam estilhaçadas. Meus sentidos trincados

Inevitavelmente aos poucos me faria em ruínas

Logo já seria apenas um pó fino. Em meio aos escombros do que fui outrora

O processo se fez

Indolor e incontrolável. E eu estava lá

Sem face, corpo ou convicções

 

Mais uma ruptura chegava ao fim

Carregada de um vazio irreparável

Tateei sem sucesso algum resquício de mim

em meio a solidão que me assola e me acolhe

 

Logo, já poderia me dizer outra

A liberdade do silêncio me contempla e me assusta

Há uma imensidão diante do esquecimento

Não me pertenço e nem ao menos posso me moldar

Sou um conjunto de forças que se movem, se chocam e se quebram a todo instante

O equilíbrio é a utopia que carrego. Pois me refaço na desordem

 

Quantas vezes perderei minha superficial identidade para enfim me firmar em m’alma?

Tenho em mim uma insaciável incompletude

E a pretensão de algum dia me sentir plena.

 

Aos poucos o que era pó se transforma em matéria viva

Densa, pulsante

Vibram em mim centenas de pequenas ilusões

Elas me constroem

E surge um novo esboço:

Uma nova máscara é desenhada delicadamente

Sem pressa ou demora.

 

Ressurjo em meio aos destroços

Não me pergunte quem eu sou

Pois sem aviso

Volto a me desmanchar…

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