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Archive for fevereiro \18\UTC 2013

Caleidoscópio

Como controlar o inexprimível fardo do poeta?
Como calar os intentos dessa vida absurda e excessiva?
De que maneira poderei equilibrar as forças que me habitam, se sou acima de tudo o caos e a desordem?
Como dizer ao poeta a palavra da paz e do silêncio se a poesia nasce do descompasso dos tempos vividos?
Poderia eu elucidar as angústias dos desejos irracionais que me inundam?
Ou racionalizar as memórias carregadas do peso inenarrável da sensibilidade?

Impossível.

Para nós, devoradores de encontros, toda despedida é como a morte.
Ao mesmo tempo que todo despertar é uma entrega densa e desenfreada.
Não há poder que possa impedir a inundação.
Somos todos condenados a poesia não vivida.

Cada evento cotidiano está atrelado ao escândalo
Cada amor à eternidade das ilusões passageiras
Cada sentido à sua grande experiência sensorial
E cada poeta à responsabilidade mundana de seus versos.

(Rio de Janeiro, 17 de fevereiro de 2013)

 

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A ESPERA

Seduzem-me as madrugadas
Pois são nelas que sussurro tua chegada
Com esperança, penso que não demoras
Apenas pegou um trajeto mais longo
No qual, florescem Ipês e Amoreiras

Já separei aquele vestido
E me arrumei como se pudesse florir também
Já te disse que sou vaidosa

Não hesitarei e entregarei a ti
a minha vida
Embora não saiba teu endereço
Mas confirmo o encontro
Está marcado, não venhas com mais desculpas

Naquele cruzamento entre o devaneio e a incerteza
Me aguardas
Não sei se te reconhecerei
Não conheço tua face

Mas penso em tuas mãos
deslizando sobre minhas certezas
Acariciam meus apelos
E assim
Já me esqueço do vestido
Me dispo em ti

Não sei tua história
Nem quantos amores tivesses no passado
Sei que a tua chegada é doce
E lambuzo-me em teus frutos

Me presenteias com sentimentos imutáveis
Com um amor que permanece
Emaranhado em mim

Retribuo com um sorriso
Já te disse que demoraste?
Fiquei ansiosa
E até pensei
Que tu existias

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