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Archive for janeiro \15\UTC 2013

Entrelinhas

Mistério,
Goles longos de inquietude
Vontade de futuro,
Ah, e esse peso das certezas…

Você deixa em mim
Sinais de vontade,
Olhares duvidosos
Cheios de malícia…

Decifra-me em analogias
Transcreva-me em poemas
Me ame em enigmas…

Silêncio,
Guardo nas madrugadas
O calor hesitante
O passo incerto
Todo esse não dito…

Já é hora de escancarar as janelas
Desmascarar os labirintos
Incendiar os receios..

Agora, amor
Já não basta os indícios
Pois além de todos os resquícios
Quero-te, apenas isso…

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Fechei a mala apressada.

Subi e desci as escadas inúmeras vezes. Antes de partir, me certifiquei de que não havia esquecido nada. Retornei a casa  e olhei minuciosamente cada cômodo à procura de algum vestígio.

Percebi que na realidade eu procurava a mim mesma. Quantos fragmentos de mim eu estava deixando para trás? De que parte do meu ser eu sentiria saudade quando retornasse à minha casa? Não podia prever o que estava sendo abandonado ali. Sei que me sentia estranha e vazia enquanto caminhava até o táxi.  Minhas palavras se perdiam em meio aos meus passos e por um instante já não sabia se meu corpo ou minha mente que estavam perdidos.  Tropeçava nos meus sentimentos errantes e inquietos.

Sim, aquela parte de mim que abandonara me fazia falta. Mas ao mesmo tempo, me sentia estranhamente aliviada por tê-la deixado lá. Mesmo eu não sabendo quem eu seria a partir de agora.

Onde havia deixado aquele pedaço desconhecido de quem eu era? Em que momento me perdi e abandonei, determinada, aquilo que outrora sabia de mim? Qual fora o segundo crucial em que me entreguei à possibilidade de voltar daquele lugar sem a bagagem do passado?

Revistei minhas memórias a fim de encontrar o paradeiro do meu ser abandonado. Relembrei cada local que passei naqueles últimos dias. Momentos sopraram. Pessoas, palavras, poesias, músicas, sabores, olhares. Sem sucesso não consegui me reencontrar em minhas lembranças.  Naquele momento eu era tudo aquilo que havia vivido.

Havia eu me perdido em meio aquele recente turbilhão que me atravessara o peito durante minha estadia na cidade? Onde eu estaria senão dentro de minhas experiências e encontros?

Naquele instante em que nos debruçamos hesitantes sobre o outro, em que olhamos curiosos diante do enigma do entendimento; no impulso dado para mergulhar em histórias, alheias a nós, é lá que nos perdemos. Entregamos a chave de nossa existência para que alguém possa nos mobiliar de ínfimas sensações, voláteis sentimentos.

E logo, não somos mais o que éramos. Pois toda despedida é também encontro.

Dizia adeus àquilo que eu era enquanto cumprimentava cordialmente aquilo que vinha sendo acrescentado ao meu ser. Nos deixamos  um pouco em cada lugar. E dele recebemos a capacidade de nos tornarmos inesquecíveis.

( Rio de Janeiro, 22 de dezembro de 2012)

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