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Archive for novembro \27\UTC 2012

Em homenagem a Juliana Teixeira

De repente, compartilhar a vida é como celebrar uma festa. A festa do encontro. Na qual, dois seres pulsam e rodopiam através da dança dos olhares curiosos. Entre nós não existe medo, pois enquanto um sente se expor demais, o outro já se entrega sem perceber. Digo para você quem eu sou, escancaro as entranhas de minha alma. E você me retribui relatando angústias recentes, histórias da sua infância. Se mostra irreparavelmente humano, frágil, doce.  Quais as melodias que incitam o sensível do seu ser? O que há de mais íntimo no seu pensamento?

É só isso que me interessa.

Nosso banquete é a troca confiante de que podemos ser juntos. Ser da maneira mais maravilhosa e verdadeira. Ausente de máscaras e status, longe de normas de conduta, não há interesse nenhum além deste:

Eu quero apenas ser para você.

E fica claro o quanto somos incompletos em nossa compreensão. Por isso que o outro vem como um presente, pois através de ti, eu posso elucidar minhas próprias loucuras. Posso entender o porquê de tanta solidão. Precisamos de alguém que nos sirva de espelho. Ainda que nublado. E se me encanto contigo, quer dizer que estou também aprendendo a me amar.

Mas não somos apenas semelhantes. Nos completamos porque na hora exata pedimos ao violinista para que toque aquela melodia em especial. Para mim? Um antigo amor entoa. Você? Relembra a casa de sua vó com bolo de milho e erva doce. Somos juntos nossas memórias desconhecidas e indecifráveis.

Uma breve sintonia tímida. Que não faz alarde, nem anuncia sua chegada. Mas que se senta na beirada de nós. E nos traz o que a alma ingênua não ousa nem desejar.

Mas que a ilumina por inteiro.

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O desejo do poeta

Danem-se as mágoas

Há sempre coisas há se viver

Cale-se,

Chega de palavras em vão

Já não me importam as madrugadas

Jogadas ao descaso

Quero só saber dos acasos

 

Chega de planejamento

Estou farta de trajetos precisos

Há mais inesperados do que esquinas

 

Há mais coincidências do que atrasos

Mais versos que protocolos

Há o inexprimível

E é dele que me alimento

 

Há sempre para o poeta

Algo a ser escrito

Algo que não se experimenta,

Mas lambuza o corpo inteiro 

 

Transcende,

E por não ser completo

Nasce da melodia ingênua

E vive em notas de violão 

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