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Archive for maio \24\UTC 2012

Poema da juventude

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Do pouco que sou, nada resta
Pois vivo me reinventando
Não sei o que serei
Nem ao menos sei
Saber quem sou

Sobre o pouco que sou
Posso tudo
Pois não sei o que posso ser

E em inúmeras possibilidades
Me crio
Me entrego
Sem saber se saberei
Ao menos um dia
Saber.

Quem sou?
Nada resta
Sou tudo.

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Metades -Eduardo Baszczyn

Porque, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. O quanto uso das partes que brigam dentro de mim. Há muito, eu me confundo. Porque metade não tem medo e levanta os braços na descida da montanha-russa. Olhos abertos, enquanto outra acha melhor enfrentar a queda com as mãos na barra. Segurando forte. Espremendo os dois olhos, fechados, desde o começo do percurso. Metade prefere brincar na beira da praia. No raso. Enquanto outra não vê problemas em pular dezenas de ondas e nadar onde a pequena bandeira vermelha, agitada pelo vento, avisa sobre o risco. Sobre a possibilidade de afogamento. Porque, há muito, eu erro a receita do equilíbrio. Uso a parte que não deveria na hora em que não poderia. Me confundo com as metades que brigam dentro de mim. Metade não suporta a burrice, a pequenez, a lerdeza. Outra, sempre calada, tolera a banalidade. Engole a ignorância. Convive com a mediocridade. Há muito, eu erro a mão. A dose. Porque metade briga. Explode. Aponta o dedo na cara, enquanto outra se recolhe, quieta, debaixo da cama. No quarto fechado. No tudo escuro. Eu tenho uma metade que berra. Outra que sussurra. Uma parte que acredita em finais felizes. Em beijo antes dos créditos, enquanto outra acha que só se ama errado. Eu tenho uma metade que só conhece a verdade. Uma parte que precisa de calor, carinho, pés com pés. Outra que sobrevive sozinha. Metade auto-suficiente. Mas, há muito, eu erro a mão. A dose. Esqueço a receita do equilíbrio. Me perco. Há dias em que uso a metade que não poderia. Dias em que me arrependo de ter usado a que não gostaria. Porque elas brigam dentro de mim, as metades. Há algumas mais fortes. Outras ferozes. Há partes quase indomáveis. Metades que me fazem sofrer nessa luta diária. No não deixar que uma mate a outra.

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Mundo grande

“Não, meu coração não é maior que o mundo.
É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho
cruamente nas livrarias:
preciso de todos.”

Carlos Drummond de Andrade

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Nua

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Estou nua

Despi-me de fantasias, angústias e canções
Permaneci na esquina de qualquer entendimento
Nua, sem paixões
Fiquei à beira da solidão
No instante do equívoco
Na ameaça da tristeza

Porém
Estou em paz
Banhei-me na serenidade
Acompanhei o passo
E dei sentido à minha vida

Não se assuste
Me certifiquei
A está porta aberta
Trato bem as visitas
Quero a casa cheia
Café e cafuné
E quem sabe até um sutil
Casaco de lã.

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