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Archive for novembro \13\UTC 2011

A todos os músicos

 

Todo desejo é a sombra da possibilidade de uma felicidade. E por isso todo desejo é dúbio. Por aquilo que ele é e pela vontade do reflexo de ser aquilo que pensa ser. E portanto, é confuso e imaturo como a ânsia de concluir aquilo que nunca será mas que pensa cegamente que pode ser. Sempre sonhando em demasia.
Apesar disso, é doce e sereno. O desejo é apenas uma simples e inútil equação de duas forças indecifráveis de silêncios e sons. Contraindo-se lentamente no mesmo ritmo como a música latente de lembranças instrumentais.
O silêncio de recostar-se na janela do ônibus em uma tarde ensolarada e devanear a respeito dos nossos próprios ritmos. E um dia, sentir que misturando-lhes, libertava-os em melodias.
O sublime dos banjos de todos os chorinhos.
Os solos de guitarra de todos os clássicos do rock.
O amor é a leveza da Bossa Nova.
É samba e dança.Quem não é musicista de seus próprios destinos perde a oportunidade de reger suas orquestras.

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Um poema

Vou fazer um poema incompleto
E como dizer que completo é verdadeiro?
Não, não é apenas um poema
É falho, portanto quase humano
Sendo humano, não se pode dizer que é um poema
… Um poema qualquer
Ele vem de uma inspiração vaga
Que vai passar quando o relógio falar devagarinho : é noite
E assim ele será um poema sozinho
Incompleto por falta de inspiração
Mas por um momento ele é pleno
E é agora, enquanto eu tento em vão explicar a ausência de sentido que há nesse poema
E se for simplesmente reflexo de um relapso pensamento meu?
Mas que tem força pra se fazer valer poema
Mesmo sendo volátil
mesmo passando..
Um poema é sempre um poema.
E é nele que eu deposito a esperança
Quem vem dessa súbita vontade
passageira
De me sentir poeta.

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Esotérico

Sou um ser ávido por racionalidade. E quem me dera poder dizer que isso é isso porque é, nada mais. No entanto, criei imunidade a idéia de uma única realidade. Desde pequenina, quando de repente me transportava para outros deliciosos mundos fantásticos. Tem dias que eu sou fada, bruxa, maga, elemental e até natureza. Acredite ou não, às vezes eu sou guerreira, amante, mãe e anciã. Outras tantas e com bastante frequência sou lua. Semana passada eu até estava na fase minguante,e outro dia, me senti repleta de brilho, cheia.E tiveram noites que usei meu sorriso para estampar um céu escuro. 

Creia ou não, tenho mil facetas e posso te dizer que nunca fui capaz de escolher nenhuma preferida.

Todos os dias eu vou acrescentando no disfarce do meu ser mais uma dúvida.

Eu só sei que preciso dessa multiplicidade,pois são os anticorpos que atuam em cada concretude dura que encontro nos meus caminhos.

Dentro de bosques mágicos cheios de seres mitológicos, poderosos e adoráveis que eu tenho me sentido, quem sabe, cada vez mais serena. Nos dias de chuva eu sou astróloga. À propósito, o Universo me deu uma dádiva perversa : ser viceral.

Sou uma cachoeira de emoções, uma canceriana dupla que ainda tem esperança em ser terra. Certa vez notei que estranhas raízes surgiam em meus pés, mas um mar de sentimentos fizeram com que eu me arrancasse. Acho que se um dia eu for planta preciso ser alga e viver dentro d’água.Porque sinto muita sede, sabe?

E é essa sede que destrói muitos de meus castelos. Em outras épocas são as enxurradas que maltratam meus reinos. E eu preciso sempre me mudar. Tenho a alma nômade.

E é por viver na fantasia é que eu às vezes me perco de mim e só me encontro quando conheço outro lugar pra morar. Lá, eu posso inventar o que é ser feliz e sou, sempre.

Algumas vezes eu conheço seres transitando entre as realidades e de imediato os reconheço. Eles têm o coração cheio de luz, como o meu. Alguns já roubaram meu brilho e partiram, outros me entregaram em um saquinho de veludo parte do seu. Já sofri e já me senti agradecida, por ambos. Afinal de contas, aprendi o que é partilhar nesse nosso mundo secreto. Na verdade, cada um interpreta como bem entender. Não só a realidade é infinita como as interpretações podem ser inúmeras. À aqueles que permanecem entrego sorridente a minha amizade e todo o meu amor. Sempre imaginei que um coração assim tão farto não poderia ser em vão.

Uma tarde dessas uma borboleta me contou sabiamente que quanto mais se tem mais devemos aprender a doar.

No fundo, eu penso que nunca vou amadurecer esse meu coração de menina. Deus me livre!

Mesmo quando eu me vejo em um mundo triste triste, cinza, chuvoso. Mesmo assim, eu posso respirar aliviada com a certeza de que ninguém nunca vai me amargurar, porque eu já sou agridoce e meu sabor é único.

Sou a quebra do meu próprio silêncio. Sou a fuga das minhas próprias verdades. Sou meu próprio caos, que cada vez faz mais sentido. Sou a explosão violeta da vontade de aprendizado.

E quanto mais eu olho os relógios dos mundos e vejo as horas e os minutos repetidos mais eu agradeço e sinto alegria de ter me entregado ao Universo.

Certa vez me disseram que eu vim para cuidar. Quem sabe eu posso ensinar aos homens de coração esquivo a serem mais amáveis.Quem sabe meus milhares de mundos são eternos, e eu nunca vou deixar de acreditar neles e nem deixarei de lado a força da magia da transmutação. Porque eu sei que os fatos são imediatos mas também sempre são passíveis de mudança. Se o rio dentro de mim transborda ele também seca. 

O equilíbrio me trouxe a completude e enquanto meu coração tende pra tristeza eu já estou inventando uma outra felicidade novinha e açucarada. 

Como num passe de mágica e ” até que nem tanto esotérico assim”.

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