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Archive for agosto \25\UTC 2011

Narcisismo sentimental

Mesmo com os anos derradeiros, a gente continua a bajular as mesmas bobagens. Como se o ego urrasse faminto, sedento de ínfimas sensações banais. Às vezes, a gente se engana só pra preencher lacunas, lacunas que nos são próprias. E aparentemente é tudo mero egoísmo. Sabe que com o tempo acabamos por superar essas pequenas delícias, a olhar e compreender nossos próprios mimos. Existe gente que coleciona futilidades. Eu coleciono paixões. Fútil da minha parte, talvez. Na realidade, pouco importa o cativador quando se é cativante. A finalidade última é só a satisfação de fantasias púberes. Essa talvez seja a minha peculiar sindrome de Peter Pan. Nunca amargar um coração menino por natureza. Por mais que doa. A dor de um prazer volátil de quem opta por sentir demais. E compensa, no fim.

Só quero estar perto da próxima janela a se abrir e aguardar ansiosamente o futuro e promissor visitante. Que ele venha, mas com uma condição : ilumine-me a alma. Brilhe incandescente. Cegue a minha vã razão e depois se apague, para um novo amanhecer.

 

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O dito pelo não dito

E por um minuto, entristeci. Como se eu tivesse tentado tocar a felicidade mas quando dei por mim pude sentir somente a ponta de seus dedos. E Passou. Será que é ousadia minha querê-la por inteiro?

Depois, uma vontade louca de fugir daquele desejo que havia explicitado ali, tão inocentemente.. segundos atrás. Tudo tão puro, tão adolescente. Que bobagem a minha..De novo.

Somos seres humanos cheios de vontade de certeza. E eu, por querer descomplicar acabei complicando tudo. Essa ilusão de desejar sempre tudo de modo mais complexo, mais profundo, abusivamente literário. Terrível mania de querer ficar fazendo estória. E no fundo, sempre dando mais sentido as minhas banalidades do que aos fatos em si.

– Não me queira..mas promete que continua me alimentando de inspiração?

Vou guardar a sua beleza nos olhos e sua alma vai estar aqui, pulsante em minhas palavras prolixas de menina.

Na vida, se não se pode existir, na arte, se sedimenta. E afinal, o que me basta é escrever.

 

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Alívio

E de repente, eu percebi os sintomas de levar uma vida de entregas. Eu queria somente agarrar cada instante como se fosse um ser faminto. Engolí-los com uma gula insaciável. Quem sabe assim, me sentisse mais completa. Não. O fardo que carregamos é que em nós, comedores de encontros, a fome nunca cessa. Como se fosse uma doença não contagiosa. Quem me dera poder espalhar por aí e dividir com o mundo essa inquietude. Mas não, é preciso arcar com o que somos. Por escolha ou por tato. Por sede. Por imensidão.

Hoje há um deserto em meus olhos. Há um oceano imensurável. Essa dualidade de quem quer sentir o mundo com o coração. E passa. O segredo é nunca perder a leveza, é conhecer e mergulhar de fato na sua própria natureza.

A repetição de acasos leva a um tipo estranho de conformismo. Não de ouvir uma realidade e aceitá-la sem luta. É lutar para nunca se restringir a uma única aceitação. É aceitar o todo, sem medo. É saber firmar os pés perante a incerteza. Se olhar e compreender que o abismo já está em si.

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Enfim, fomos

E foi quando eu tive uma maior convicção de que existe uma força positiva do universo que me deparei em um estado de graça tão pleno que mesmo se todos os meus planos dessem errado, ainda assim eu continuaria a sorrir com os olhos. Mesmo se dentro de mim pulsasse um coração repleto de ausências e ilusões. Pensei que talvez, pela primeira vez em minha vida, aprendera a controlar minha natureza caótica. Que apesar de todos os desamores ainda valia a pena escancarar as janelas da alma, sem qualquer medo maior, sem relutâncias. A vida agridoce nunca fora tão bela dentro da sua dicotomia. Era como se opostamente a alegria a melancolia usual complementara-se. Como se por um instante eu me esquecesse que o amor é também desejo e insegurança. Mas o concebesse como uma forma absoluta de gratidão. Sou grata. Por mim, por ti, pelo que nos somos, pelo que nos fomos e por tudo aquilo que gostaria que tivessemos sido. É isso. Da maneira mais simplista e maravilhosa. É a vontade sem desejo de posse, é o respeito pela liberdade que se tem quando dois universos se encontram tão profundamente. É o dizer sereno, calmo, sem afobação. De que eu te quero, mas não para mim, mas que somente te quero bem, seja lá onde for. E depois de um louco ímpeto de me debulhar em lágrimas por causa desse sentimento peculiar que eu paro, observo, respiro e a única coisa que consigo pensar é em dizer : obrigada.

A gente bem sabe o quanto é difícil ter um coração que sempre se cativa. O quão incomodo é viver de ilusões muito mais do que realidade. Talvez eu tenha me acostumado, ou quem sabe finalmente aceito que meu coração faminto não era sinônimo de desilusão. Aceitara enfim, as condições impostas pelas circunstâncias e compreendê-las era a melhor atitude a ser tomada no momento. Eu não queria mais vivenciar desamores sofridos. Queria simplesmente aceitar ( e sendo verdade) que tudo que eu vivenciara tinha uma certa e justa coerência. Uma linearidade de aprendizados, disponíveis para a minha própria evolução.

Queria talvez lhe dizer que essa é a paixão mais pura e mais bonita que eu já imaginei sentir. É o amor pelo amor. É a gente arcar com o que sente e guardar com carinho, embalando-o em meus braços, o protegendo do frio. E no mais, eu não queria. Somente me sentia tocada por um elo superior de sintonia. Uma explosão de sincronicidades. Como se a vida quisesse me reafirmar que coisas mágicas acontecem, que tudo poderia ser ainda muito mais doce.

E assim seriam os dias em que passaria com a mente quieta. Com a certeza de que aquilo tudo não havia sido em vão. Que era belo, por ser e não precisava continuar sendo. Porque não seria. E eu ficaria assim, lambuzando-me desse meu sentimento não concebido, não gasto. Envolto em uma sensação sublime de encantamento. Devorando na memória essa noite que o calendário há de esconder.

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