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Archive for junho \30\UTC 2011

Clarice Lispector

“E eis que depois de uma tarde de “quem sou eu” e de acordar à uma hora da madrugada em desespero. Eis que às três horas da madrugada acordei e me encontrei.
Fui ao encontro de mim. Calma, alegre, plenitude sem fulminação.
Simplesmente, eu sou eu, você é você. É livre, é vasto, vai durar.
Eu não sei muito bem o que vou fazer em seguida mas, por enquanto, olha pra mim, e me ama! Não! Tu olhas pra ti e te amas.
É o que está certo.”

 

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Procura-se um coração faminto

Há tempos tive vontade de colocar um anúncio como este, numa cartolina meio amarelada na janela azul de minha casa. Escrevi com uma caneta vermelha, que falhava um pouco.

“Procura-se um coração faminto”, foi a frase mais sucinta que pude construir. Mas na realidade ( e admito que odeio frases curtas sem mais delongas ), o coração faminto englobava uma série de outros atributos que eu gostaria de encontrar.  Simples e complexo ao mesmo tempo, como todos os meus desejos de menina.

Faminto , um coração, assim como o meu, de fome insaciável. Algum portador de um órgão repleto de vontade de amar. Mas não de amor qualquer, tem que ser de amor profundo, intenso. Um amor de entrega, daqueles que a gente perde o ar, as pernas ficam bambas, a boca doída de tanto beijar o ser amado. Aqueles amores que a gente deita na cama e fica vendo o tempo passar só se lembrando do amor, com um sorriso diagonal meio tímido e o estômago repleto de pequenas borboletinhas que fazem cócegas.

Acredito que só um coração assim como o meu possa querer tais sensações. Tenho conhecido corações magrinhos, magrinhos. Medrosos e esquivos. Desses eu não quero amor não. Se tem que esperar então vou esperar logo um bem farto, amplas paredes e de frente pra um horizonte sem fim.  De preferência  com vista pro oceano. Aquele mesmo oceano que cabe dentro de uma canceriana romântica como eu.

Procura-se um amor maduro e menino.  Um amor desses que a gente passa anos depois tentando entender a sua ausência de explicação. Desses que a gente dá o sangue, o corpo, a alma e ainda sente que faltou se doar mais um pouquinho.  Eu quero, eu quero, eu quero. Quero mesmo é  olhar nos olhos, falar qualquer besteira e me entregar quando as minhas bochechas rosarem demais. Quero fazer samba, sorrir com a alma e abraçar bem apertado na madrugada o meu amor. Quero me embriagar de tanto sentimento, ficar completamente desnorteada e ainda sim sentir que essa perda toda é a forma que encontrei de me achar.

Um amor assim, humano, complexo, sedento. Esses amores que acredito que só brotam nos corações famintos como o meu.

Se alguém souber alguma informação sobre o paradeiro desse coração eu peço que entre em contato comigo com urgência.

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A mulher que eu sou

A mulher que eu sou caminha depressa, na realidade, mais tropeça que caminha

Tem muita pressa, pressa da vida, das decisões, das respostas e tem pressa em formular perguntas

A mulher que eu sou reflete mais do que vive, pensa mais do faz, fantasia mais do que sente

É uma mulher que não tem medo do recomeço, mas às vezes se cansa

É forte, intensa e quer tudo sempre na íntegra

Não gosta de migalhas, nem de frases pré formuladas, odeia verdades imutáveis e tem uma disposição única para discussões

É existencialista, melancólica e apaixonada

A mulher que eu sou, mora sozinha, gosta de gatos e de poesia

É inquieta, inconstante e tem muita gente que já disse que ela é lunar

Tem muita sede, sede de pessoas, de momentos, de instantes e de sentimentos

A mulher que eu sou gosta de política, de samba e de tapioca

Não atura meias palavras, não vive sem a subjetividade

Faz rodeios, desenvolve mais do que conclui

A mulher que eu sou mora em mim

Eu que às vezes me perco dela.

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