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Archive for outubro \31\UTC 2010

Nome próprio

Tudo sobra em mim. E ao mesmo tempo, tudo falta em mim. Por vezes não sei se é a falta de pernas ou de mim, sei que é um amolecimento das formas. Aprendi a concordar que a intensidade é uma doença contagiosa. Eu não concebo uma vida sem contágios. Eu preciso organizar o caos que eu sou. O problema é que eu fico achando que caos é ordem. E acabo
sempre me perdendo dentro de mim, dividida entre as histórias que eu escrevi andando e aquelas que eu vivo dentro da minha cabeça. Como se eu estivesse sempre procurando por uma coisa que nunca encontrei e vivo procurando em quem achar.

Do filme Nome próprio de Murilo Salles

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Definitivamente submersa

Os olhos fixos na esfera giratória da maçaneta. “Até a próxima sessão na quinta-feira, adeus”. Dentro de mim uma agitação tamanha, capaz de incomodar até as mais preguiçosas células. Fibra,sangue,alma debatem-se com graça, quase dançam. Pequenas doses cintilantes de interrogações surgem. Pensar na própria vida é uma meditação digna de monges. Uma dedicação contínua.
Passos leves me pertencem. Estou livre, sem amarras. Minha mente e seus labirintos, já não sei mais distinguir vontade de acontecimento. Eu desejo muito, às vezes, até demais. Sou inquieta o bastante para não me deixar acomodar e incessantemente busco respostas.
Sou um ser latejante. Pulsando, pulsando, pulsando. Coração demais para pequenas bobagens. Penso nas distrações das últimas semanas. Incrível o quanto me encanto com as pessoas, gosto de conhecê-las, embriago-me com tudo que é novo, envolto em fantasias sublimes. Gosto de perceber minúcias, ligeiramente novas. “Você sempre foi assim?”
No entanto, desencanto com facilidade, cansei de insistir em antigos afagos. Quero mãos ressecadas, macias, grandes, finas. Mãos que repousem sobre mim e me tragam algumas delícias. Porém, todo esse ciclo volátil também me frustra. Há uma tendência a profundidade incalculável. Escavar segredos, deixá-los nus. Intimamente belos. É, não sei ser superficial. Prefiro a mágoa desoladora das desilusões do que me sentir sentimentalmente impotente. Eu preciso sentir. Sentindo eu me reconheço como sou. Aceitação e paz.
E talvez o que me falte é a sensação mútua das mãos encharcadas. O que me falta é compartilhar a coragem de mergulhar dentro dos sentimentos que desconheço. É dar as minhas relações um sentido inexplicável de complexidade e completude. Estranhamente questiono-me e não compreendo porque as pessoas se contentam em apenas molhar os dedos.

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