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Archive for fevereiro \26\UTC 2010

Sobre o destino e todas as coisas

Nunca fui muito temente a Deus.
Alguns me apelidaram de bruxa na adolescência pois me identifiquei sempre com os cultos pagãos. O meu imaginário era repleto de seres fantásticos. Dentro desse universo sempre quis ter o dom de prever – ou interferir – no que polemicamente chamei de destino.
Pensei na mudança dos fatos como algo palpável, que estivesse também, submetido às minhas práticas ocultistas.
No entanto, o destino havia pregado-me uma peça, e das grandes. Tudo foi muito bem articulado, tanto que, no início daquele plano mirabolante, nunca poderia imaginar que tudo aquilo era obra de alguém, pelo qual, me sentia tão familiarizada. O destino havida planejado tudo, dentro das amplitudes e particularidades. Primeiramente me testou diversas vezes. Sem ter a mínima capacidade de vencer, perdi, sentindo em abundância o gosto desesperador do fracasso. Me senti um ser vazio dentro de mim mesma, tão pequenina e confusa. E nunca pensaria que era essa realmente a sensação que, segundo o criador de tais desígnos, deveria sentir. Passei por alguns desamores, a esperança caminhava corcunda, quase moribunda ao meu lado. Conheci o pior lado das minhas ilusões infantis, todas elas, reduzidas as cinzas.
Esse período durou um longo inverno, daqueles que as folhas ainda duvidam do seu renascimento durante a primavera. Aquela neve já tinha que ter derretido há muito tempo.
Até que em uma manhã, nem ensolarada, nem chuvosa. O tempo permanecia estagnado na sua própria lógica incomum, recebi uma visita inesperada. Entrou dentro de mim arrancando-me sorrisos. Dilacerando-me por dentro. Mostrando-me algumas belezas nunca antes por mim reparadas. O visitante apesar da maneira que chegou (assim tão suspeitamente belo) aos poucos ganhou espaço nos meus pensamentos e sucessivamente instalou-se também em meus lençóis.
Admito que no começo hesitei, hesitei muito. Não queria me entregar aos seus encantos. Tinha o peito ferido demais para abrigá-lo. Não, a tristeza já havia feito suas malas, aquela hora já estava no meio da estrada, não a queria de volta, não mais.
Foram alguns dias seguidos. Algumas noites embriagadas de olhares cumplices. Alguns toques nunca antes sentidos, algum tipo de compatibilidade, algum tipo de sintonia completa.
Um dia, percebi que o meu medo era também por ele vivido. Tanto que duvidei e duvidei muito das nossas queixas tão parecidas em relação a nós. Ah, como tentei evitar aquele envolvimento supremo. Mas fui impedida por um rosto de mil perspectivas, tanto que muitas vezes, deparei-me admirando-o em diversos ângulos, amando cada pedacinho do seu corpo cândido, cada fragmento, cada risada, cada entonação da sua voz.
Sim, estava completamente apaixonada. De maneira que retornei a acreditar nas minhas ilusões tão inocentes. Mas, dessa vez, era uma idealização madura.
O visitante tomou-me por inteiro. Conseguiu penetrar profundamente na minha alma tão instável. Me deu paz, serenidade. Ensinou-me que o amor também poderia ser vivido com alegria. Uma alegria extrema, uma alegria que nasce do quarto a meia luz, uma alegria que não depende de nada, além de nós dois.
E todo meu misticismo, meus planos, os sonhos enferrujados voltaram. Limpei toda a poeira. Ah, que belo presente o destino havia reservado unicamente a mim.
Em alguns instantes pensei até em agradecer a Deus. Em alguns momentos penso que é apenas uma fantasia muito volátil, que desaparecerá em poucos e cruéis segundos.
Mas não, é bom voltar a crer, é bom saber que o destino não é um grande traidor.
Volto saltitando a vida que imaginei ter deixado para trás.
E que amor, se realmente é amor, não é como uma poção mágica de juventude?

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