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Archive for dezembro \14\UTC 2009

Insaciável coração

É necessário estar sempre apaixonado.

Uma vida sem paixão é uma vida limitada pela própria idéia de sentir-se apaixonado. Necessito da paixão como força motriz para minhas articulações. Acredito que tudo isso faça parte da minha essência tão peculiar, que não é só uma característica intrínseca a mim, mas sim uma parte do meu corpo humano. Um sistema orgânico unicamente meu. Para que ele funcione bem é necessário estar sempre e momentaneamente apaixonado. A sensação que escorre nas mãos suadas, nos pés trêmulos e que caminha pausadamente pela barriga e deságua nos lábios cerrados. Uma sensação sem destinatário. Isso é o que menos importa. O despertar é a formalidade mais banal, mais sem sentido. Apaixono-me perdidamente pelos meus sonhos, pelas minhas ilusões.
E quantas vezes já suspirei de amor por um momento ou por uma nota de um violão. O objeto pelo qual destinamos nossas expectativas é irrelevante. Nada importa. Apaixonante são sim os vícios reprimidos, o hálito alcoolizado na madrugada, a roupa descartada, o silêncio dos olhares cúpidos. Delicio-me com o sol estonteante, com o sereno, a casa vazia.
E esses sim são os amores sem limites, desmedidos, realmente aproveitados em todos os seus átomos. Amor em vão, para mim, não existe. Não se descarta o que é absoluto em sua totalidade. É por isso meu corpo, dentro de minhas menores nervuras, pede a cada segundo vivido e incansavelmente sussurra em minha loucura rotineira: apaixone-se, apaixone-se, apaixone-se.
E sei que se não o fizer hoje, amanhã talvez seja tarde demais para tentar.

Inspirado em Baudelaire.

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