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Archive for maio \02\UTC 2009

Dia da limpeza

Hoje resolvi fazer faxina no meu coração.
De vassouras e avental ajoelhei-me, coloquei os óculos para enxergar com mais clareza o estrago que havia ali.
Estavam lá, frustrações, culpa, remorso, dor todas espalhas pelo assoalho. O que, no entanto, daria mais trabalho eram as desilusões que grudaram como limo no rodapé.
Porém um coração sujo é melhor do que um vazio.Sou convicta disso.
Comecei esfregando com lavanda a culpa e o remorso que juntas formavam o fungo mais tenebroso que já vi. Passei um pano quente na dor, o vidro continuou um tanto quanto embaçado, mas já dava para enxergar ao fundo os raios de sol. Um coração mal tratado não deixa a luz entrar. Frustrações só abraçam uma boa esponja que ao fazer movimentos contínuos acaricia a alma. Era hora da decepção.
Assustei-me, calafrios só de pensar em tocá-las. Estavam tão presas, de unhas e dentes agarrados com força. O maior problema da decepção que para retirá-las é necessário um pouco de ilusão e expectativa. Para limpá-las é preciso usar os mesmos ingredientes que foram escalados para fazê-las. A questão que sempre me incomodou é que elas não são feitas sozinhas. Um personagem externo também foi essencial para sua composição. E ele? Não posso misturar a limpeza. O personagem externo precisa ser exterminado, pois tudo que ele toca, estraga.
Já foi muito difícil abrir as portas e resolver transformar o coração, tão escondido, tão debilitado.
Não irei desistir agora.
Junto em um frasco os ingredientes que já possuo, volto as minhas anotações.

Para limpar desilusões

– Ilusão perdida
– Expectativa fragmentada
– Falsas palavras
– Sonhos bandidos
– Choro calado

Misturo tudo com colher de pau até formar um líquido homogêneo. Despejo.
Borbulha.Queima.Combustão.

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