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Archive for 18 de abril de 2009

O que deveria ser

eclipse

No dia em que o sol cansado permaneceu deitado e nem quis saber do que estava a acontecer, a noite ficou para almoçar e mandou avisar que ficaria também para jantar e quem sabe não se esticava no sofá. As estrelas mesquinhas zombaram da aurora que estranhou a demora e foi espiar atrás da mesa de jantar. Nesse dia que não era dia o céu encoberto nem hesitou em chamar a tempestade que só por maldade trovejou e apavorou quem ainda dormia na sua mais intensa harmonia. Ela, além de não se importar com o sol disse em alto e bom tom que sua melancolia era mera fantasia e que andava velho, tonto de ilusão. Os pingos apostaram corrida no quadro que repousava na janela, corrompendo a pintura e tornando-a uma simples moldura. Apenas manchas na solidão. O vento corria como um lobo selvagem que uivava e ladrava. Suas patas derrubaram o espelho do banheiro que já não mais inteiro insistia em refletir o dia ensolarado tão ansiado pelo passado. Minha alma confusa catava junto com as fagulhas de vidro toda a poesia que nem ao menos vivia, mas que ainda esperava no caís um sentimento verdadeiro.
No dia que só era escuridão nenhum ser no mínimo são quis sair na rua e provar a sua amargura.
Os meus olhos embaçados por mágoa e decepção nem ousavam falar sobre aquela última canção. Que rasgava toda a pele deixando aparecer às feridas que sucumbiram da saudade daquilo que nem sequer existiu.
No dia que não devia mostrou todo um parecer que demorou para ser. No existir que não quer brotar na realidade, toda sua crueldade, meras mentiras.
No dia que não existiu a lágrima fria caiu e seguiu sem olhar para trás deixando apenas pegadas no meu desamor.

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