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Archive for dezembro \15\UTC 2008

O despertar

dali1943

Os olhos ainda cansados repetem sucessivamente“não quero abrir, não quero abrir”.
Ainda nebuloso com os fragmentos do mundo dos sonhos, meu corpo desperta. Sonhei que o mundo era como deveria ser, com o futuro que eu gostaria de viver, com a rotina que ironicamente seria maravilhosa. O mundo, no entanto, continua sendo o mesmo em que antes vivi. Primeiramente, sinto-me desnorteada, nego o silencio, fecho os olhos mais uma vez com a ligeira sensação de assim encontrar os momentos voláteis e felizes que vivi nos últimos instantes, que mais pareciam séculos. O corpo deve aprender a levantar mesmo debilitado, machucado. Então não dizemos mais levantar e sim aprender novamente a andar. Um recomeço um tanto inusitado, afinal nem tudo é como andar de bicicleta. Faço uma retrospectiva dos mais remotos aos mais recentes acontecimentos, “ qual é o saldo de tudo isso?” me questiono angustiada. A incógnita, a ausência de uma resolução imediata e coesa me deixa louca. Quero enlouquecer. Enlouqueço então, mas somente por breves segundos. Voltando a sã consciência (que talvez nunca sã) penso durante longas noites uma solução para o meu desconforto, ou seria inconformismo, não importa.
“O Tempo toma proporções diversas” disse ou será que foi o antigo sábio? Dias, horas, minutos, anos, séculos, quem os determina? Quem os leva a sério? A humanidade? Não. Não gostaria de fazer toda uma crítica a sociedade e a civilização no momento, afinal quem parece ser um problema sou eu mesma. Questionamentos em vão.. Silencia a noite. Quem sou? O que quero? O que posso e o que devo? A escrita já não simpatiza tanto comigo, ela está em lugar inacessível, longínquo. Quero amá-la, quero. Preciso tocá-la com cuidado, talvez se eu tivesse sido mais prudente naquele primeiro encontro. Deparo-me com a sensação de apenas repetir os condicionais. E se, e..E nada. Acordei e esse fato é inegavelmente real. A vontade de me julgar ou questionar parece muito mais atraente no momento. Sonhar? Não tenho mais esse direito os olhos estão fadados a secura da verdade. Passei algumas palavras com essa sensação, até que resolvi encontrá-la de novo. Como eu gostava do seu conforto, seu refúgio.. Ah, a dança das palavras me conduz para algo quase mítico. E foi nesse colo maternal da escrita, dona da sabedoria, que encontrei as respostas para todos os meus questionamentos. E ela me disse lentamente: “Por que não sonhar novamente?” Deitei em seu peito macio, suas mãos delicadamente enxugavam meu pranto silencioso, fechei os olhos. “ Qual será meu próximo sonho?”

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A Arte dos mortais

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No suplício da paixão
Na ilusão da instância de cada momento
Transcrição da saudade
Meros versos vagando sob a noite interminável
No ápice do sentimento encontra-se também a arte
No futuro não bem dito, não bem previsto, sem premonições
Na arte de permanecer vivos a cada instante
sujeitos a tudo, vulneráveis aos vícios, as paixões, a dor
Mera e desnuda maneira mortal de viver.

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Andarilho das estrelas

040909_hubble_catseye_04Inspirado nas minhas tentativas de viagens astrais, e é claro pelo livro Andarilho das Estrelas de Jack London

Através da dança do escrivão
Transparência de momentos únicos
Nesse tão aclamado ritual deparo-me com a volátil sensação
Fico sujeita a conhecer os Deuses
Nessa magia eu sou capaz de enganar o desconhecido
Abrir os portais do que não bem se conhece, do que se teme, dos apelos humanos
Tão limitados, tão infantis são os pedidos alheios
Nessa música gerada pelas vozes inquietas e inconformadas, me envolvo
Sou carregada através do tão inconsciente poder da mente
Pelo espírito sou levada a minha essência
Ao encontrá-la sei que poderei realizar as sonhadas aventuras
Longínquas deste mundo, distante do humano
Minha terra natal.

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Modo imperativo

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Não me deixe
Sinta-me com ternura e me ame com fervor
Deixe-me
Deixe-me quando sentir que a raiva é sublime
mas volte quando o caminho estiver inóspito
Ensine-me
Quero estar sempre ciente de seus assuntos transcendentes e angelicais
Porém, ouça
Ouça com atenção pois quero-o também como meu aprendiz
Delicie-se com minha alma mística mas não se esqueça de respeitar minhas futilidades
Enobreça-me com seus olhos fúlgidos
Tenta-me com sua aura iluminada
Cante para mim a entoante oração de nossa terra natal
Reconheça-me como sua fiel e única companheira
Respeite minhas lágrimas irracionais e meus súbitos ápices de amor
Beije-me com o desejo de ontem e com a ansiedade do primeiro
Creia no que digo e perdoe-me por esse inesperado e imperativo suplício de amor

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