Feeds:
Posts
Comentários

AMOR

Em homenagem a Cristiano

O amor consome eternidades
O amor devasta
Inunda
Transforma

O amor não ocupa
Invade
Apodera-se

Revoluciona

O amor domina
Alucina
Todos aqueles
A que a ele se submetem

É estar em vertigem
Rodopiando em delírios
Caminhando em linha tênue

O amor enlouquece
Atordoa
No amor nada é à toa

Tudo vale
Tudo cabe
Tudo sobra

O amor é um eterno despertar
Do sonho e do não acordar
É a realidade transfigurada
É a poesia nas madrugadas

O amor não pede
Nem dá aviso
Chega de sobressalto
Num súbito
Suspiro e num grito
Ensurdecedor

Sobrepõe-se a angústias
Dizimando os medos
Acalmando a pele
Repousando sobre a tarde

Acariciando os corpos
Daqueles que dele dependem
E dele se nutrem

E nele se perdem..

Paixão e dúvida

Caminho lentamente por esse instante

Admirando a efemeridade do tempo

Degusto o sabor da ansiedade

E é doce.

Acaricio os sonhos,

Abraço as ilusões

E timidamente

beijo os serenos lábios da calma.

Mesmo a dor da incerteza é bela

Quando nela ecoa o teu nome.

P2190246

MIMESE

FAÇO DA MINHA VIDA
UMA HISTÓRIA DE FICÇÃO
UMA NOVELA, UM FOLHETIM

MAIS ME AGRADA ESSA VIDA INVENTADA
DO QUE TODAS AS NOTÍCIAS PUBLICADAS
SOU PERSONAGEM DE UM ENREDO LOUCO
NO QUAL EU MESMA ME PERCO UM POUCO

SOU PÁGINAS DE CRIATIVIDADE
SOU UMA ESCRITORA DE REALIDADES
NÃO ME DOEM AS VÍRGULAS
DÃO ALÍVIO ÁS FERIDAS SENTIDAS

TENHO MEDO DE FECHAR O LIVRO
QUERO VIVER O INEXPRIMÍVEL
SOU HISTÓRIA INACABADA
CONTO DE FADAS

INVENTO O QUE SOU
SOU TUDO O QUE POSSO
SOU UMA NARRATIVA BIZARRA
SEM COESÃO ENTRE AS PALAVRAS

ME ENCONTRO EM UM MUNDO DISTANTE
CHEIO DE CAPÍTULOS ALUCINANTES
UM POUCO DE DRAMA E AVENTURA
VIVO A MINHA LOUCURA.

Em homenagem ao meu novo amigo querido, Alysson

Saudade

Saudade dos olhares tão cheios de palavras

Das manhãs que me ensolaravam

Saudade da simplicidade de quem ama

Da sensibilidade do cortar cebolas

Do choro leve de quem sente

Saudade…

 

Do abraço de quem reencontra

Do cheiro do manjericão

Da demora dos instantes

Cheios de saudade…

 

Dos dias mais vividos

Também dos adeuses

E das mãos que se acariciam espontaneamente,

Saudade..

 

Da plenitude do encontro

Do desespero da perda

Da culpa do atraso,

Saudade…

 

Do permanecimento da memória

Das poesias e seus destinatários

Saudade..

 

Saudade de tudo um pouco

E desse vazio

Saudade

Dessa esperança infantil

De reviver

Antiga saudade.

Esquizofrenia

Sou Maria, Amélia, Beatriz e Gabriela
Sou atriz, cantora e dançarina
Mas acima de tudo : escritora.

Sou intensa, poeta. 
Há quem diga que sou louca. 

A loucura não me assusta,
… não me desfaz
É parte de mim.
Gosto de ser outras
Às vezes, não gosto de ser assim.

Sou de vidro, cerâmica, pedra.
Sou forte, quebradiça, vulnerável.
Sou personagem da minha própria trama

Não amo, engulo. 

Devoro.
Sentidos, sentimentos, palavras
Me lambuzo. Sou gulosa, corajosa.

Não me iludo, me transcrevo 
Me entendo, me mato, me odeio,
me quero.

Sou menina, mulher
Astróloga, antropóloga
Sou canceriana de sol e de lua
Sou duas.

Há quem me queira, quem me despreze 
E há alguém que me envolve. 

Não sigo ritmo, nem compasso. 
Sou caos, desordem, imagem

Não presto, eu cresço.
Me estreito, me quebro, 
mas me transformo.

Sou assim. Sou vida, pulsante.
Sou morte, luto, saudade. 

Mas acima de tudo sou dúvida 
Sou tantas que não me caibo
Sou tudo que não me suporta
Sou o que não sei
Mas sei o que me toca. 

Em homenagem ao meu amigo Jorge Eduardo Almeida

 

Feitiço

Fiz um pedido aos ventos :

Que todos os novos quereres viessem me visitar

E inundassem meus pesares

Enuviassem minhas certezas

Embaralhassem minha vida

Escrevi num papel de rascunho para os astros :

Que eu nunca perca a capacidade,

De enxergar novos destinos

De entoar canções ainda não interpretadas

De publicar novos poemas

Desejo o que não sei

Quero possuir o que nunca tive

Amar o que não sou

O impensado inesperado

A arte do acaso

O súbito desaviso

Não posso me contentar com o que fui

Nem com a esperança de novos ares

Preciso sentir o abismo da incompreensão

Longos olhares de dúvida

Necessito existir como poeta

A vida não me basta…

Luna-creciente-en-jardinería

No início, não passava de uma pequena rachadura

Fina, retilínea, quase imperceptível

Depois surgiram infiltrações, fendas

E pedaços de mim foram mergulhando no abismo

Do qual eu não ainda não consigo escapar.

 

A máscara branca que cobria meu rosto se dissolveria a qualquer minuto

Minhas certezas estavam estilhaçadas. Meus sentidos trincados

Inevitavelmente aos poucos me faria em ruínas

Logo já seria apenas um pó fino. Em meio aos escombros do que fui outrora

O processo se fez

Indolor e incontrolável. E eu estava lá

Sem face, corpo ou convicções

 

Mais uma ruptura chegava ao fim

Carregada de um vazio irreparável

Tateei sem sucesso algum resquício de mim

em meio a solidão que me assola e me acolhe

 

Logo, já poderia me dizer outra

A liberdade do silêncio me contempla e me assusta

Há uma imensidão diante do esquecimento

Não me pertenço e nem ao menos posso me moldar

Sou um conjunto de forças que se movem, se chocam e se quebram a todo instante

O equilíbrio é a utopia que carrego. Pois me refaço na desordem

 

Quantas vezes perderei minha superficial identidade para enfim me firmar em m’alma?

Tenho em mim uma insaciável incompletude

E a pretensão de algum dia me sentir plena.

 

Aos poucos o que era pó se transforma em matéria viva

Densa, pulsante

Vibram em mim centenas de pequenas ilusões

Elas me constroem

E surge um novo esboço:

Uma nova máscara é desenhada delicadamente

Sem pressa ou demora.

 

Ressurjo em meio aos destroços

Não me pergunte quem eu sou

Pois sem aviso

Volto a me desmanchar…

Image