Pensei que naquela noite eu não queria sentir o gosto azedo do fracasso. Muito menos sentir que eu não fui boa o suficiente. Nem sentir que todo o meu esforço havia sido em vão. Eu sabia que não seria a melhor naquele momento, mesmo que estivesse depositado todas as minhas forças. Sentia que o mundo havia me engolido dentro de um túnel negro. Mal dava pra enxergar o que tinha deixado pra trás e muito menos o que estava por vir. Sentia-me tão só que minha vontade era apenas me sentar para poder abraçar minhas próprias pernas.. E dizer a mim mesma ” Vai ficar tudo bem..”
No entanto, tinha certeza do que eu era, sabia que estava em um processo progressivo de aprendizado. O erro também me levava a uma auto compreensão.
Talvez a inocência passe, talvez um dia consigam me amargurar. Mas enquanto eu acariciava meus próprios braços, reparei nos meus pés rechonchudos e neles vi toda a minha essência de menina. Naquele momento, eu era uma menina sozinha e com medo do escuro, ou quem sabe do monstro que era crescer. E eu sabia que apesar de não ter sido a melhor eu ainda sim, tinha vontade de juntar toda a poeira de desgosto do chão, segurar com as mãos unidas e assoprá-la ao vento. Nesse instante, fechei os olhos e magicamente vi que pequenas faíscas de luz e purpurina dançavam em direção a lua.
Há quem me diga que a esperança é tola. Que não se pode acreditar na magia e nem na sua própria pureza interior.
Mas o porquê das coisas vai além do meu entendimento. Julgar não é compreender. Determinar não é aceitação. Tropeçar não é cair. O melhor não é o necessário. E tolos são aqueles que deixam de enxergar que também há purpurina na poeira dos fracassos e quem sabe ainda há bondade nos olhos daqueles que se propõe a sonhar.
14
jan
12
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