Arquivos diários:14 de janeiro de 2012

Quereres dos dias nublados

Quereres dos dias nublados

São bonitas as folhas nas copas das árvores, quando olhadas assim da janela do apartamento. São bonitos os cabelos presos em coque, um pouco desarrumados. O dia está nublado. Nos últimos tempos minha vida anda um pouco nublada. Falta sol, falta calor, falta sempre algo. Às vezes, a esperança hesita em aparecer e os sentimentos ficam dentro de mim, assim meio nublados. Nos tons de azul, cinza e branco. Sem tons amarelos e vermelhos de um pôr do sol bonito de verão. Eu gostaria de ter permanecido junto ao mar. Eu o queria pra mim. Às vezes, eu penso que só preciso de um refúgio.
O meu eu anda cansado. Cansado de esperar, cansado de afirmações temporais do ego, cansado de todos esses amores impossíveis.
Eu só queria alguém para compartilhar uma xícara de café. Eu só queria um café, pelo café em si. Não café e insegurança. Não café e remorso. Não café e não, não vou te amar.
Minha alma anda ofuscada. Não me agradam mais os antigos afagos, não me alegram mais e a cachaça da noite anterior me enjoa.
Pela primeira vez me sinto amargurada. Vou tomar um capuccino sozinha.
Aqui venta demais e as portas batendo parecem me dizer que um dia haverá alguém para abrí-las.
Eu quero novidades, quero aventuras. Quero uma noite de vinho e Frank Sinatra. E que eu esteja radiante, de preferência com as buchechas rosadas.
Eu quero uma dose cavalar de esperança. E por favor, que saia o sol.

Infância e Maturidade

Infância e Maturidade

Pensei que naquela noite eu não queria sentir o gosto azedo do fracasso. Muito menos sentir que eu não fui boa o suficiente. Nem sentir que todo o meu esforço havia sido em vão. Eu sabia que não seria a melhor naquele momento, mesmo que estivesse depositado todas as minhas forças. Sentia que o mundo havia me engolido dentro de um túnel negro. Mal dava pra enxergar o que tinha deixado pra trás e muito menos o que estava por vir. Sentia-me tão só que minha vontade era apenas me sentar para poder abraçar minhas próprias pernas.. E dizer a mim mesma ” Vai ficar tudo bem..”
No entanto, tinha certeza do que eu era, sabia que estava em um processo progressivo de aprendizado. O erro também me levava a uma auto compreensão.
Talvez a inocência passe, talvez um dia consigam me amargurar. Mas enquanto eu acariciava meus próprios braços, reparei nos meus pés rechonchudos e neles vi toda a minha essência de menina. Naquele momento, eu era uma menina sozinha e com medo do escuro, ou quem sabe do monstro que era crescer. E eu sabia que apesar de não ter sido a melhor eu ainda sim, tinha vontade de juntar toda a poeira de desgosto do chão, segurar com as mãos unidas e assoprá-la ao vento. Nesse instante, fechei os olhos e magicamente vi que pequenas faíscas de luz e purpurina dançavam em direção a lua.
Há quem me diga que a esperança é tola. Que não se pode acreditar na magia e nem na sua própria pureza interior.
Mas o porquê das coisas vai além do meu entendimento. Julgar não é compreender. Determinar não é aceitação. Tropeçar não é cair. O melhor não é o necessário. E tolos são aqueles que deixam de enxergar que também há purpurina na poeira dos fracassos e quem sabe ainda há bondade nos olhos daqueles que se propõe a sonhar.