05
dez
11

Primavera

Se eu pudesse te dar agora a agonia desse instante perdido
Eu te juro, quem sabe, te daria
Se pudesse, se ele não fosse apénas meu, de minha autoria

Se quem sabe… Eu poderia transferí-lo pra ti
Seria mais fácil, amor
Mas ele é meu
Fruto do meu desgosto doído vindo de tua ausência
Da tua opção medrosa

Mas poderia quem sabe um dia te dizer o quanto vivi e agora agonizante…
Morre

E passa como instantes fugidos de uma felicidade incerta, doce, bela, florida
Agora, acima de tudo, morta

Morta por ti, e por mim, literária, nobre
Em um caderno amarelado, inesperado e como tudo em nós, primaveril

Depois da primavera vem a tristeza desunida de uma estação que dura pouco,
mas que foi viva em meu jardim

Então, não lhe dou

Te semeio e te mato em flores


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