02
dez
11

O porquê de tudo

Toda e qualquer inspiração de uma noite chuvosa, dedico-te.
Aprendi a vivenciá-lo em minhas palavras, em meus versos imprecisos de quem sente demais sem saber explicar.

Às vezes, inundo-me de tantos porquês.

Por que a paixão não pôde?

Não foi?

Não fora digna de ser devorada com gula?

Resta em mim  apenas a vã ideia de que será passageira a sensação de ainda possuir um desejo pulsante. Resta a ausência em prol do esquecimento. E apenas dentro de mim está o olhar de quem cala por ter muito o que dizer, mesmo todo o corpo urrando de vontade, a razão se viu no direito de constatar simplesmente : Não.

Descobri então que os amores inacabados são eternos por sua inconclusão verbal. E que o desejo é muito claro em suas preferências : antes um talvez do que nunca mais. Antes o incerto do que a certeza de uma negação impensada. E como são tolos os seres que amam. Aqueles que ainda vêm na distância um resquício de saudade.

Na parede da minha memória coleciono postais que me lembram você. São pequenas ilustrações de noites de vinho, sintonias astrológicas, tardes nubladas na praia. Você sabe.. Aqueles momentos de quem se apaixona por sincronicidades sentimentais. E hoje, não sei aonde depositar minha fé. Se é na esperança primaveril de retorná-los ou na sabedoria do tempo em esquecê-los, ou melhor, abstraí-los.

Ainda se fosse possível somente congelá-los na alegria de tê-los vivido.

Mas o que diria o coração, agora repleto de uma ideia latente de amor?

Infelizmente o coração é atemporal e não acompanha o calendário, nem os relógios. E afinal, me deparo revivendo-o enquanto tudo me consola dizendo : foi.

Culpo enfim, meus sentimentos travessos que teimam em continuar me aprontando suspiros e sorrisos. Provenientes da simples e doce lembrança de uma xícara de café.

Quem sabe, isso seja comum em todo repentino desapego. Forçados por ambos, temido por mim.

Seres românticos demais para se permitir tamanha loucura de amar. Ou talvez, quem amou fui só eu, envolta em um sublime encanto floreado pelo medo da solidão.

E o que importa as futuras noites chuvosas para quem sente estranhamente a vontade de dizer : Adeus.

A minha vã esperança é somente concluir a magnitude de um encontro verdadeiro através de palavras tontas de quem precisa escrever. Aquela necessidade fria de confessar. A alforria da literatura do coração. Que eu possa me lembrar de você enquanto você ainda permanecer em mim. Que eu por um instante abandone os outros carinhos, as outras noites, outros abraços e só por um segundo permita-me questionar : Por quê?

Não são as respostas ou a falta delas que me faz estranhamente continuar a sorrir  com a alma repleta de sol, mas sim, a certeza de ainda continuar exalando a minha essência de menina apaixonada, por natureza.

E agora, já não me interessa mais o que houve. Entrego ao raiar do dia a incerteza de todo novo amanhecer.

A paz é saber gostar e saber o que sou.

 

 

 


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